segunda-feira, 27 de julho de 2015

DE ALGUM TEMPO.

Fazia tempo que eu não escrevia nesta página. Que mal faz?! A verdade é que poeta ou prosador algum faz falta em seu escrever; o que o faz de verdade são as palavras, e, estas, não precisam estar escritas para que existam de fato. Basta que vivam na mente de cada um, e nada mais lhe terá valor, nem mesmo a alma do poeta, nem mesmo a ira do autor.

Deveras, faz tempo. Tanto tempo, que já me faltam as palavras, faltam-me o pendor para as letras. Por isso, prefiro me aquietar em meu canto e olhar os pássaros que cantam serelepes no alto da mais alta árvores de minha Pasárgada;  prefiro ouvir os cachorros que ladram ao longe, talvez na rua debaixo, quem sabe, bem dentro de minha alma.

Ás vezes, e isso é coisa de poeta velho, ou de autor moribundo, vem-me uma terrível vontade de chorar. Daí, pego a caneta e ponho a me rabiscar em alguma folha de papel. Não me saem poesias, apenas feiras, contas, pensamentos, orações, interrogações e um sem fim de reticências. Eis que não escrevi mais. É bem verdade que vez ou outra ainda tenha passado por aqui, como quem passasse pela vida, efemeramente, vulgarmente poético.

Fazia, sim, muito tempo que não escrevia. E talvez ainda nem tenha escrito, afinal, o que são as palavras senão a própria alma do poeta tentando pular para fora de si. Melhor que ela fique cá dentro, quietinha, onde é mais quente e mais seguro. Que fique, e se aconchegue, e aprenda logo a orar, pois nada mais lhe convém senão a dor e o choro da poesia.

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