Não me
lembro de como, nem quando, comecei a escrever, de fato. As lembranças que me
vêm são de que sempre fui imaginativo, como eram a maioria das crianças da
minha época. Saliento que ainda não havia internet em finais dos anos 1980, e
os computadores, os poucos que existiam, eram verdadeiras caixas difíceis de
serem manuseadas. E, na falta de
tecnologias, brincávamos com os amigos e a imaginação.
Estas
memórias vieram-me de manhã, enquanto folheava duas bonecas de livros de poemas,
quando descobri que um daqueles poemas fará neste 18 de maio 10 anos de
feitura. Lembro-me bem da sua construção, numa tarde com nuvens, em casa de
minha irmã, quando tentava desvendar os mistérios de cada um daqueles desenhos
que desfilavam pelos céus. Daí às outras recordações foi um pulo.
Meus
primeiros dois poemas, dos quais tenho lembrança, foram produzidos nas aulas de
Língua Portuguesa, quando a professora Maroni pedira para que fizéssemos dois
textos poéticos, sendo que os melhores seriam expostos no mural da escola. Fiz
dois, de estalo; um para mim e outro para uma colega, sendo que ambos foram
selecionados para o mural; mais: o que estava com o meu nome fora lido na sala
do terceiro ano, como se fosse de um grande poeta. Eu ainda estava na 7ª série
do fundamental.
Certamente
que eu já tivesse escrito alguma coisa anteriormente, daí a incerteza da data
real da iniciação. Sou péssimo com datas e, por isso, prefiro me ater aos
fatos, como de quando brincava no quintal de casa, sozinho, construindo
fazendinhas com bois de sabugo de milho, carros de pedacinhos de tábuas,
pegadas na serraria do Bimba, fazendo tijolos de barro, dentro das caixinhas de
fósforo que minha mãe usava para fazer o almoço.
Eram
naqueles momentos que eu construía meus maiores textos, minhas melhores
poesias. Quando passava por pontes sobre lagoas cheias de crocodilos e
piranhas, debaixo de fortes chuvas de raio e vento, carregando os tijolos que
construiriam a casa-grande da fazenda; noutras vezes, transportando os postes
(pauzinhos de picolé) para a feitura das cercas que prenderiam os bois no
pasto, ou, ainda, quando saía cavalgando pelas lonjuras de minhas terras, em
busca de mais gado para comprar. Era ali que eu produzia minhas ideias. E
assim, foram-se tantos anos, sem a poesia nunca sair de mim.



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