Já em
terras mineiras, Caetano e Lúcia foram trabalhar em uma fazenda de café no sul
do estado, ele na colheita e ela como professora dos filhos dos empregados.
Durante um tempo tudo correria bem, até que, numa noite, quando já estavam na
cama, a esposa reclamou de que o dono da fazenda a perseguia, procurando o seu
corpo.
De
manhã, Caetano saíra para o trabalho, mas, ao invés de seguir o seu caminho,
escondeu-se atrás de uma moita e ficou a espreitar o seu patrão. Este saiu
apressado, seguindo para a escolinha. Lúcia não imaginava o que aconteceria,
mas, já esperava pelas investidas do homem, um velho barrigudo e com grosso
bigode, cheio de arrotos e arrogâncias. Ela não cederia aos seus ataques, mas,
também não queria que o marido se encrencasse por sua causa e cria que já
deveriam partir.
O
homem descera rápido do cavalo e, sem dizer qualquer palavra, jogou-se sobre a
professora. Ela tentava, em vão, se desgarrar das calejadas mãos daquele monstro.
De repente, um único bate e ele caíra sobre o seu corpo, sua blusa estava
rasgada e os seios saltavam para fora, o coração aos pulos e a pele trêmula. Caetano
chegara a tempo de salvar a sua amada. Havia matado o seu patrão e tudo estava
consumado.
Antes
de partirem, pegaram todo o dinheiro da casa. O homem não possuía família,
assim, todo o resto do que possuía ficaria para os empregados, conforme
afirmara Caetano ao reuni-los na varanda da grande fazenda. Desta forma, cada
um teria o seu pedacinho de terra, onde haveriam de produzir os seus ganhames.
O
casal partira novamente, agora para o norte de Minas. De novo, viam-se a bordo
de um trem de ferro, com a fumaça voando pelos céus. Caetanão lembrando-se da
Itália, da esposa e dos filhos que deixara para trás, dos amigos e da luta da
qual tivera que fugir, mas que nunca saíra de dentro de si. Lúcia, no seu
cantinho, assustada, não queria perturbar o marido, mas, sentia enjoos e
tonturas. Talvez estivesse esperando o seu primeiro rebento.
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