segunda-feira, 20 de abril de 2015

LÚCIA E CAETANÃO

Já em terras mineiras, Caetano e Lúcia foram trabalhar em uma fazenda de café no sul do estado, ele na colheita e ela como professora dos filhos dos empregados. Durante um tempo tudo correria bem, até que, numa noite, quando já estavam na cama, a esposa reclamou de que o dono da fazenda a perseguia, procurando o seu corpo.

De manhã, Caetano saíra para o trabalho, mas, ao invés de seguir o seu caminho, escondeu-se atrás de uma moita e ficou a espreitar o seu patrão. Este saiu apressado, seguindo para a escolinha. Lúcia não imaginava o que aconteceria, mas, já esperava pelas investidas do homem, um velho barrigudo e com grosso bigode, cheio de arrotos e arrogâncias. Ela não cederia aos seus ataques, mas, também não queria que o marido se encrencasse por sua causa e cria que já deveriam partir.

O homem descera rápido do cavalo e, sem dizer qualquer palavra, jogou-se sobre a professora. Ela tentava, em vão, se desgarrar das calejadas mãos daquele monstro. De repente, um único bate e ele caíra sobre o seu corpo, sua blusa estava rasgada e os seios saltavam para fora, o coração aos pulos e a pele trêmula. Caetano chegara a tempo de salvar a sua amada. Havia matado o seu patrão e tudo estava consumado.

Antes de partirem, pegaram todo o dinheiro da casa. O homem não possuía família, assim, todo o resto do que possuía ficaria para os empregados, conforme afirmara Caetano ao reuni-los na varanda da grande fazenda. Desta forma, cada um teria o seu pedacinho de terra, onde haveriam de produzir os seus ganhames.


O casal partira novamente, agora para o norte de Minas. De novo, viam-se a bordo de um trem de ferro, com a fumaça voando pelos céus. Caetanão lembrando-se da Itália, da esposa e dos filhos que deixara para trás, dos amigos e da luta da qual tivera que fugir, mas que nunca saíra de dentro de si. Lúcia, no seu cantinho, assustada, não queria perturbar o marido, mas, sentia enjoos e tonturas. Talvez estivesse esperando o seu primeiro rebento. 

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