domingo, 12 de abril de 2015

ESQUECIMENTOS E CONFUSÕES

Acho que esquecimentos e confusões caminham juntos do homem desde que o mundo é mundo. Este escriba, a propósito, possui péssima memória recente, atendo-se, portanto, às recordações mais recônditas, transmutando-se em nostálgico inveterado. Quanto às confusões, estas são inúmeras e constantes, causando situações pitorescas e, quase sempre, engraçadas.

Tarde de sábado, algumas cervejas na cabeça e a iminente necessidade de comprar algumas coisas para o almoço dominical, antes do grande Clássico, antecipado pela incompetência de ambos os grandes times de Minas. Por precaução, o adequado seria realizar as compras ainda nessa tarde, pois que nunca se sabe se o supermercado abre, ou não, nas manhãs de domingo.

O carrinho encheu-se rapidamente, enquanto passeávamos pelas prateleiras. A esposa fazendo a feira, enquanto eu empurrava o carrinho e controlava os gastos, com a cabeça já doendo e o mundo ainda sem muito equilíbrio. Fazia calor e o barulho dos transeuntes findava com a minha paciência e aumentava a minha vontade de voltar para casa. Sou um antissocial contumaz.

Terminadas as compras, refazíamos as últimas contas e avaliávamos a real necessidade de cada item, calmamente anotados no papel pela patroa. Tudo certo, peguei o carrinho de compras e partimos ao único caixa livre, já ávido por mais um copo de cerveja, pensando no tira-gosto de logo mais e analisando todas as nuances e formações atleticanas a serem preparadas pelo Levir.

Começamos a passar as compras, quando a esposa notou algumas coisas estranhas no carrinho: uma lata de leite condensado, dois pacotes de camisinha, um pacotão de fraldas extra grande. “Mas estas fraldas não são nossas, o bebê ainda usa fraldas M...”. Ela já terminava a sua reclamação, quando um homem surgia correndo pelo corredor:

- Esse carrinho é meu, o seus está ali, no fim do corredor!


Ainda procurei um buraco onde pudesse me esconder. Não o encontrando, pedi mil perdões ao pobre rapaz, peguei o carrinho no fundo do corredor e, com a cabeça a ponto de estourar, peguei o final da fila, que já havia crescido uma eternidade.

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