Acho
que esquecimentos e confusões caminham juntos do homem desde que o mundo é
mundo. Este escriba, a propósito, possui péssima memória recente, atendo-se, portanto,
às recordações mais recônditas, transmutando-se em nostálgico inveterado.
Quanto às confusões, estas são inúmeras e constantes, causando situações pitorescas
e, quase sempre, engraçadas.
Tarde
de sábado, algumas cervejas na cabeça e a iminente necessidade de comprar
algumas coisas para o almoço dominical, antes do grande Clássico, antecipado pela
incompetência de ambos os grandes times de Minas. Por precaução, o adequado seria
realizar as compras ainda nessa tarde, pois que nunca se sabe se o supermercado
abre, ou não, nas manhãs de domingo.
O
carrinho encheu-se rapidamente, enquanto passeávamos pelas prateleiras. A
esposa fazendo a feira, enquanto eu empurrava o carrinho e controlava os
gastos, com a cabeça já doendo e o mundo ainda sem muito equilíbrio. Fazia
calor e o barulho dos transeuntes findava com a minha paciência e aumentava a
minha vontade de voltar para casa. Sou um antissocial contumaz.
Terminadas
as compras, refazíamos as últimas contas e avaliávamos a real necessidade de cada
item, calmamente anotados no papel pela patroa. Tudo certo, peguei o carrinho
de compras e partimos ao único caixa livre, já ávido por mais um copo de
cerveja, pensando no tira-gosto de logo mais e analisando todas as nuances e
formações atleticanas a serem preparadas pelo Levir.
Começamos
a passar as compras, quando a esposa notou algumas coisas estranhas no
carrinho: uma lata de leite condensado, dois pacotes de camisinha, um pacotão
de fraldas extra grande. “Mas estas fraldas não são nossas, o bebê ainda usa
fraldas M...”. Ela já terminava a sua reclamação, quando um homem surgia
correndo pelo corredor:
-
Esse carrinho é meu, o seus está ali, no fim do corredor!
Ainda
procurei um buraco onde pudesse me esconder. Não o encontrando, pedi mil
perdões ao pobre rapaz, peguei o carrinho no fundo do corredor e, com a cabeça
a ponto de estourar, peguei o final da fila, que já havia crescido uma
eternidade.
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