Os óculos sobre a mesa
Espiam as almas
Que passeiam pela sala.
O POETA DO CERRADO
Elismar Santos
sexta-feira, 1 de abril de 2016
quarta-feira, 30 de março de 2016
SONETO DE DESERÇÃO
Elismar Santos
Severamente,
não sou mais poeta:
Em
dias de sol não canto mais as flores,
Em
versos não choro mais minhas dores.
Sinceramente,
não sou mais poeta.
E
esta lágrima que me desce fria,
Ainda
me corre a pálida pele
Recobre
o peito, que não a repele,
E
me eriça os pelos em demasia.
Ainda
assim, não mais escrevo versos
E
regozijo-me em noites de bares
Com
lindas mulheres e seus amplexos
Com
lindas morenas e seus olhares.
Não
faço mais versos nos meus reversos
E
já não me perco se me encontrares.
quinta-feira, 17 de março de 2016
SONETO DE ESPERANÇA
Os velhos bêbados ao pé da cruz
Cerimoniosos ouvem os sinos
Despertados pelos pobres meninos
Que o fogo fátuo da vida produz.
E no tardar de uma noite de lua
Uma menina em torpor se reduz
(Tétrico ser que de amor não reluz)
Entregando-se, desnuda, na rua.
Um dia, quem sabe, a centelha perfura
A sôfrega alma atarantada e pura
E a noite morta transmuta-se em luz
Verá então a menina imatura
Que o mesmo ventre que a dor lhe introduz
Fará florescer o amor que conduz.
Cerimoniosos ouvem os sinos
Despertados pelos pobres meninos
Que o fogo fátuo da vida produz.
E no tardar de uma noite de lua
Uma menina em torpor se reduz
(Tétrico ser que de amor não reluz)
Entregando-se, desnuda, na rua.
Um dia, quem sabe, a centelha perfura
A sôfrega alma atarantada e pura
E a noite morta transmuta-se em luz
Verá então a menina imatura
Que o mesmo ventre que a dor lhe introduz
Fará florescer o amor que conduz.
quarta-feira, 16 de março de 2016
SONETO DE IGUALDADE
Sob as mórbidas lápides
Os memoráveis seres
Gozam os vãos prazeres
Destes veios tumulares.
Os memoráveis seres
Gozam os vãos prazeres
Destes veios tumulares.
Sem palavras doridas
Por viúvas ou amantes
A arder-lhes os semblantes
Em lágrimas sofridas.
Por viúvas ou amantes
A arder-lhes os semblantes
Em lágrimas sofridas.
E cobertos de terra
Resignam-se aos amores
Da dama que os enterra
Resignam-se aos amores
Da dama que os enterra
Cantando-lhes louvores
Em quando à urna cerra
Dizimando os senhores.
Em quando à urna cerra
Dizimando os senhores.
SONETO DE PADECIMENTO
Enquanto Tereza, em tórrido açoite,
Despia-se da grinalda e do véu
Uma luz aguda descia do céu
Feito um machado cortando a noite.
Lágrimas tristes banhavam-lhe os olhos
Escorriam pela face doente
E aquietavam-se no seio ardente
Recordando seus amores inglórios.
O vestido rasgado sobre a cama
Trazia os velhos amores perdidos
Das noites douradas e peito em flama
Levava os sonhos do amor prometido
E resignava-lhe a última chama
Da juventude e o sonhar concebido.
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