quarta-feira, 16 de março de 2016

SONETO DE PADECIMENTO


Enquanto Tereza, em tórrido açoite,
Despia-se da grinalda e do véu
Uma luz aguda descia do céu
Feito um machado cortando a noite.

Lágrimas tristes banhavam-lhe os olhos
Escorriam pela face doente
E aquietavam-se no seio ardente
Recordando seus amores inglórios.

O vestido rasgado sobre a cama
Trazia os velhos amores perdidos
Das noites douradas e peito em flama

Levava os sonhos do amor prometido
E resignava-lhe a última chama
Da juventude e o sonhar concebido. 

Um comentário:

  1. Meu caro e irmão, confrade em tudo. Parabéns. bem merecida sua cadeira na Academia.

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