segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

O CAMINHÃO DO LIXO

Invariavelmente, o caminhão do lixo passava às 8 da manhã. Assim, habituadas à rotina, as mulheres acordavam ás 6, tomavam o café e partiam ao varrimento do quintal. Ás 7 e 30 tudo já estava tinindo de limpo, com as folhas e todo o lixo postos nas sacolinhas de plástico, trazidas dos supermercados nas compras anteriores. Mas, alguma coisa aconteceu - nenhum aviso na rádio, nenhum folhetinho jogado por debaixo do portão, nenhuma fofoca pelas ruas - o caminhão do lixo não passou.

A primeira dona de casa abrira o portão timidamente e pusera todo o seu lixo pra fora. Depois, veio o homem que vestia um enorme calção e pendurou algumas sacolinhas num prego grudado no muro. A mulher de camisola vermelha e grandes seios durinhos, mostrando as coxas grossas e torneadas saiu rapidamente á rua e, esforçando-se para que ninguém a visse, jogou as sacolinhas a um canto da calçada. E, assim, todo o lixo foi sendo posto pra fora.

O tempo foi passando, o sol subindo ao pino dos céus, até que todo o mau cheiro do lixo começasse a espalhar-se pelo ambiente. Os cachorros andavam satisfeitos pelas ruas, com o sorriso alargando-se pela cara, com toda aquela abundância de comida e fraldas plásticas. Os mosquitos faziam a festa sobre as sacolinhas brancas, azuis e pretas, escolhendo os melhores alimentos para se empanturrar. Enquanto isto, as mulheres que preparavam o almoço e o homem que dava banho nos cachorros pensavam no que poderia ter acontecido, se um atraso inesperado, ou um prévio aviso do que estaria por chegar... E o lixo continuava se espelhando por toda a cidade, à espera do seu caminhão.

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